____________________BIOPSIA:
Título original: Nós que aqui estamos por vós esperamos
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 73 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 1998
Distribuição: Riofilme
Direção: Marcelo Masagão
Roteiro: Marcelo Masagão
Música: Wim Mertens
Fotografia: Marco Túlio Guglielmoni
Edição: Marcelo Masagão
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Epitáfio: Um filme-memória sobre o século XX, a partir de recortes biográficos reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens que viveram nesse século.
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Links externos:

Título original: Nós que aqui estamos por vós esperamos
Gênero: Documentário
Tempo de Duração: 73 minutos
Ano de Lançamento (Brasil): 1998
Distribuição: Riofilme
Direção: Marcelo Masagão
Roteiro: Marcelo Masagão
Música: Wim Mertens
Fotografia: Marco Túlio Guglielmoni
Edição: Marcelo Masagão
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Epitáfio: Um filme-memória sobre o século XX, a partir de recortes biográficos reais e ficcionais de pequenos e grandes personagens que viveram nesse século.
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____________________OBITUÁRIO:
(numa miscelânea de lamentos e críticas penadas, pinçadas nesse purgatório virtual)
____________________OBITUÁRIO:
(numa miscelânea de lamentos e críticas penadas, pinçadas nesse purgatório virtual)
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Em uma conversa Masagão e seus críticos debatem sobre seu filme Nós que aqui estamos por vós esperamos.
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Em uma conversa Masagão e seus críticos debatem sobre seu filme Nós que aqui estamos por vós esperamos..
Masagão começa dizendo: "O historiador é o rei, Freud a rainha", uma forma de tentar juntar a historicidade e personalidade, coletivo e individual, humanidade e consciência.
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A crítica responde que mesmo tendo eleito dois "consultores espirituais" para seu filme - Sigmund Freud e Eric Hobsbawm, elegendo, na verdade, dois campos de pensamento utilizados para permear a lógica do filme. Todavia, Masagão peca quando mostra uma clara preferência por um desses "consultores", marca que conduz conceitualmente e que aparece desfalcada da proposta original, pois o filme se aproxima mais de uma Interpretação dos sonhos - primeiro livro de Freud, que de uma Era dos extremos - obra-prima de Hobsbawm. Ou seja, há um favorecimento do eixo psicológico dos acontecimentos (lidos psicanaliticamente) em detrimento de um eixo historiográfico.
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Masagão afirma que não pretendia revisar o século em tão pouco tempo de projeção, afinal, o recorte não permite tal sintetização. Segundo ele, objetivara humanizar estatísticas, pontuar as narrativas com alguns fatos, uma forma de poetizar a abordagem e ganhos tecnológicos e perdas humanas, sempre qualitativas, nunca numéricas, eis o que almejava: associar possíveis paralelos entre fatos improváveis, como a queda do foguete Challenger e de um corajoso que se jogou da Torre Eiffel, em Paris, ambos com a intenção de conquistar atributos e espaços ainda imaculados à mão humana, ou a saga de uma família que perdeu membros de três gerações consecutivas em diferentes guerras. Portanto, uma leitura do século XX através de um mixer de estórias e fatos verídicos para se chegar a história do século propriamente dita.
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Implacável, a crítica afirma que essa perspectiva ao não seguir qualquer categorização ou cronologia para falar do século XX esbarra no problema que será, em muitos momentos, barreiras de correlação interpretativa por não distinguir o que é relevante ou secundário por faltar um centro. Dizem tratar-se de uma colagem de diversas, e não construção de um discurso unidirecionalmente ordenado, mais próximo de um videoclipe freudiano do que um documentário. Essa linguagem poética, ou "clipada", fica evidente na constante presença de fusões, sobreposições, abertura de janelas e mudança de velocidade, o âmago desse turbulento tempo recortado, um mosaico caótico de acontecimentos. Logo, como poesia visual, Nós que aqui estamos... peca no conteúdo informacional, onde terminamos sem saber ao certo qual a idéia de século está sendo retratada pelo cineasta.
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Hesitante, Masagão diz haver sim uma ordenação, já que é este o papel da inserção de pequenas estórias, usadas para alinhavar a narrativa oficial, as imagens que por si só já são registros históricos que funcionam como fragmentos da realidade e só podem fazer sentido se forem conduzidas por uma narrativa capaz de dar unidade ao que se contar. Embasa tal afirmação quando entende que os registros tão somente constituem, no máximo, um banco de dados e, por isso, a pesquisa e coesão desse material é de suma importância, desde que manejada com eficiência e atenção pelo pesquisador. Em seu caso, depois da pesquisa, para o êxito da coesão visual, lança mão da narração em legendas na terceira pessoa, já que a maioria das imagens não falam por si, no filme, elas se emprestam a um narrador onisciente e onipresente, que modera os fatos narrados. Um discurso monofônico, com um ponto de vista, um norte, mesmo que esta esteja restrito a frases - do cineasta - do mediador das diversas fontes supracitadas, em uma pesquisa unilateral. Para Masagão, o historiador nunca é neutro, nenhuma fonte é fidedigna, a história para ele é discurso, logo, é enunciação, ponto de vista, lastro ideológico, construção de um "narrador".
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Não convencidos, os críticos insistem que Nós que aqui estamos... é, pelo contrário do que diz Masagão, uma história esvaziada de história, preenchida pela defesa de uma perspectiva da história, da micro história, da nova história, com a corrente da historiografia que diz se preocupar com os pequenos, com os desconhecidos, os hábitos, o social, com o que preconizavam Marc Bloch e Lucian Febvre mas, na verdade, está mais próximo de uma auto promoção, regada de uma estética consideravelmente sedutora, persuasiva, convincente, como um filme publicitário busca ser: seqüências de imagens históricas com narrações, guias e músicas comoventes, sobretudo, hipnóticas.
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Em sua defesa, Masagão cita McLuham que diz que "os homens criam as ferramentas, as ferramentas recriam os homens", no documentário esse desequilíbrio entre detenção dos meios de produção e acesso aos bens produzidos é focado em dois momentos: quando morre na cadeira elétrica um rapaz que sequer tinha luz em casa, assim como nunca poderá comprar um Ford T o operário que o fabrica. Eis ai, através de um defensor e dois exemplos, a idéia de humanizar a história com a inserção de pequenos e do cotidiano como forma de fazer valer uma visão inédita e problemática de um fato já calejado, conforme o discurso dos Annales, situações problemas para as teses para a comprovação da veracidade desta nova abordagem. Atentando também para, no filme, a inserção de negros, asiáticos e mulheres, outrora esquecidos na forma historicizante aparecem como personagens importantes de sua própria história.
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Buscando um golpe de misericórdia diante da eqüidade da discussão, os críticos abstraem o assunto para situar o filme no momento histórico, visto que o documentário sendo produzido em 1999, uma época propícia para intelectuais e pa1piteiros darem notoriedade as listas dos principais fatos e personagens do período (em muitos temas e formatos). Perigosas, essas listas de afeições podem ditar irreparáveis enganos no futuro. Muitas dessas listas podem levar uma carga de desequiHbrio entre substância e o acaso.
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Masagão, já revigorado, concorda que Nós que aqui estamos... é uma lista. O filme se auto define como "uma breve história do século XX". Pede para que os críticos atentem para o termo "uma" para deixar bem claro que trata-se do século XX de Marcelo Masagão, portanto, os fatos e as personalidades que ali aparecem são conseqüência de uma escolha pessoal do diretor. Discutir ausências imperdoáveis ou presenças injustificáveis não deixa de ser ocioso.
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E a discussão segue horas a fio, com final indeterminado, visto o quão complexo é o debate sobre a proposta do filme e seu eventual cumprimento, tendo apenas como certeza que se a discussão chegou a tal nível e extensão, Nós que aqui estamos por vós esperamos já merece o indiscutível título de polêmico.
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__________________ONDE_ASSISTIR:
Vídeo (formato RMVB, legenda PT/BR):

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Vídeo (formato RMVB, legenda PT/BR):

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(parte 3 de 4)
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